26/07/2020 às 21:53 documental

Feliz dia dos avós

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  Hoje é um dia muito especial e para alguns até passa despercebido. O dia dedicado àqueles que são importantes para o desenvolvimento de uma criança tanto quanto os pais. Os avós. E para o post de hoje que é muito especial, quero vos contar um pouco da minha história com os meus avós, prometo ser breve. 

  Já contei algumas vezes no instagram que cresci em uma cidade que fica cerca de 6h de distância da cidade onde estão toda a minha família. Nesta cidade vivi até os meus 11 anos quando finalmente me mudei (mãe, eu e irmão mais velho) para a cidade de colonização italiana a qual é berço de toda a minha família e que eu só visitava nas férias de inverno.  O contato que eu tinha com a minha família até os meus 11 anos, especialmente com meus avós, era através das fotografias e é por isso que hoje eu dou tanto valor a elas (tanto que virou minha profissão) e claro algumas visitas breves. Pois bem, estou a contar tudo isto pois vai fazer sentido quando vos contar em que circunstâncias eu fiz essas fotografias do post de hoje.  O dia era 29 de maio de 2017, meu aniversário de 29 anos, e como todo dia 29 em uma família italiana, é dia de nhoque. Minha avó me convidou para almoçar com eles, e eu que estava mergulhada em uma onda de fotografia documental naquela época pensei, "vou levar minha câmera, é uma ótima oportunidade de documentar esse momento, ora, sou fotógrafa de família e justo a minha fica sem fotos? Ótima oportunidade também para exercitar o olhar, vou fotografar tudo aquilo que é importante para mim".

  Mal sabia eu que dali 8 meses iria rumar para além mar e viver uma nova aventura, longe da minha família, novamente. Nossa mudança para Portugal.

  Até parece que foi uma premonição, algo instintivo ou subconsciente que me fez passar a mão na câmera e documentar este dia, coisa que nunca havia feito antes. E hoje, são as fotografias mais preciosas que tenho da minha família, ou de parte dela. Nestas fotografias eu encontro tudo que fez parte da minha infância e adolescência.

    Meu avô a cortar cebolas para a salada e a preparar ele mesmo a salada do jeito que ele gostava. Foi com ele que aprendi a gostar de cebola e alho. Ele era metódico, tinha um jeito especial de cortar a cebola e o alho e de preparar as folhas para a salada.

  Minha avó sempre no fogão, lotado, a usar todas as grades do fogão para tudo que possa imaginar. Aquela fumaça de comida afetiva, gostosa, e que aquece o coração e o estômago.

  Não pode faltar o vinho, o café pós almoço com uma laranja (aliás, frutas era o que não faltava, pois meu avô não vivia sem).

  As fotos de todas as coisas que a avó guarda na estante, as fotos dos netos, os santos e a estação de trabalho do meu avô que era repleta de madeira e ferramentas. Ele era muito habilidoso.

  Era. Pois. Quando me mudei para Portugal meu avô estava internado na UCI. Me despedi dele em uma cama de hospital, entubado, sem poder falar, com lágrimas nos olhos. Ele faleceu quando eu já estava em Portugal há alguns meses. E desde então, há quase 3 anos, que não volto para a minha cidade para rever minha avó que ficou sozinha, pois até a Laila, a amistosa Dachshund de estimação, nos deixou.

   Tudo isso aconteceu entre 2017 e 2018 e é tão atual. Hoje as famílias tiveram de ficar distantes e compensar a distância de outras formas. Famílias perderam seus avós e pais sem conseguir se despedir.  E tudo que irá sobrar no fim de tudo, são as lembranças.

  Neste dia dos avós, espero que todos aqueles que têm a oportunidade de estar junto dos seus, possam ter um dia glorioso de muita risada e histórias divertidas, comidas reconfortantes e abraços apertados.  E que aqueles que não podem, que possam se lembrar neste dia, de tudo aquilo que foi bom, recordar das histórias engraçadas, das viagens em família, das brincadeiras e que possam sentir o abraço no calor do coração.

  Feliz dia dos avós. Vó Terezinha, vô Edmor (o seu Rossi)

E para a vó Eralda que também nos deixou e a quem eu estimo muito. Não pude me despedir dela também, mas preservo a imagem dela viva, alegre, risonha e muito elegante como sempre. Junto do vô Luiz, que conheci pouco mas que tenho algumas memórias do pouco convívio que tive, sempre alegre e cantarolando.

26 Jul 2020

Feliz dia dos avós

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